terça-feira, 27 de abril de 2010

Olha que hoje o céu..

Diz-se que ali para os lados da Praça de Alegria, em certas noites de lua cheia, por entres os neons lustrosos e a memorabilia do nacional-cançonetismo de um cabaret, se pode ouvir uma estranha criatura deambulando pelas suas profundezas, de guitarra em punho, entoando canções que se dizem ter-lhe sido oferecidas pelo Diabo em pessoa. 
Desta mística criatura, que o imaginário popular baptizou de "O Cão da Morte" pouco se sabe, tirando o facto de ser jovem, muito jovem (eternamente jovem até, dirão alguns), e que ao contrário dos rumores que por aí tem espalhado o Adolfo (o português sinistro, não o germânico destro), quando o seu bafo nos assenta no pescoço, a luz não fraqueja no horizonte, muito pelo contrário, resplandece, ganha amplitude e adquire os mais variados tons. 
Os Picos Gémeos foram à sua procura numa noite chuvosa de Fevereiro.
Parte um da busca pode ser vista aqui.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Não te apoquentes


Ultimamente só cá venho para isto, é verdade, mas melhores tempos virão, confiem. Por ora, fica mais uma das tais malhas novas, para mais tarde compilar como "Filipe da Graça & C de Croché Voltam à Garagem, Vol.1". Esta chama-se "Marca d'Água" e cheira-me que não deve ser bom carácter. Claramente derivativa, algo interesseira no modo desenvergonhado como se assume como meia-canção, isto para não falar do piscar de olho.... ao quê? Ao verão, pois claro. Podíamos lá passar sem mais umas referências aquáticas. Só faltava a palmeira e o capri-sonne. Enfim, é por vossa conta e risco.

(A foto? É do João Gambino, obviamente)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

...da Graça


Já se encontra disponível para audição outra das malhas que falava no postal anterior. Esta chama-se "Amor Próprio" e é duplamente abençoada, porque serve também como orgulhosa desculpa para o debut do espaço musical de Filipe da Graça, onde se revelarão ao mundo muitos dos riffs que trautearemos por essas pradarias fora. Aqui.

(novamente, a foto é do João Gambino)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Passou-me aqui um tsunami


O blogue não tem sido actualizado porque descobri (e este "descobri" deve ser interpretado no mesmo sentido dos Descobrimentos Portugueses, ou seja, a questão não é se a coisa existe, mas sim se um gajo tem os tomates de se jogar à água e, a parte mais divertida, se depois consegue lá chegar para "resolver" aquilo aos nativos) que tinha outras coisas bem mais importantes para actualizar na minha vida.
Mas como ontem passou-me um maremoto ou uma tromba d´água ou lá como é que aquilo se chama, aqui a uns metros de casa (que aliás aproveito para dizer que filmei em muito melhor qualidade e com muito mais estilo do que aquele meu vizinho, cujas imagens por aí circulam) que me fez temer pelo meu mac e respectivo recheio, que reparo agora que está estrategicamente colocado junto a uma bonita e ampla janela a dar para o rio (muito parecida com aquelas que normalmente se vêem todas rebentadas quando lhes passa um tufão ou um vulcão ou lá o que é, por cima), decidi começar a vazar isto (em vez de o mudar de sítio) antes que comece para aí a chover sapos ou venha uma saraivada de cinzas da Islândia, que são tudo coisas a que esta janela não tem ar de conseguir resistir.
Posto isto, tenho aqui umas malhas que nasceram num daqueles fins-de-semana típicos cá para estes lados (embora cada vez mais raros, para grande desgosto dos meus avós) de visita à terra natal, onde não há mais nada para fazer a não ser um gajo enfiar-se na garagem e tocar o mais alto que conseguir. A diferença foi que eu e o meu irmão, Dom Filipe da Graça, decidimos tornar este fim-de-semana mais produtivo, e o objectivo a que nos propusemos foi compor e gravar umas quantas malhas de raiz, o mais directas possíveis e, pormenor importante, que dessem o mínimo de trabalho. Em resumo, primeiros takes e decisões sobre o que fazer só baseadas no nível de diversão que o acto comportava. Podem ouvir aqui a primeira, chama-se "Mar da Palha" e dificilmente podia vir em altura mais certeira, tendo em conta os dias conturbados que por lá se vive (e até lá está o raio da janela). Grunge algarvio, diz quem já ouviu. Charolastrices, digo eu.

(a foto é do João Gambino)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Retracção pascal

 Goa, 2004 da série "Jesus Never Fails"
António Júlio Duarte

P.S. - manzana, tinhas razão, o homem sabe o que faz...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Da imprevisibilidade

O equilíbrio entre a arte e o artesanato é o mais difícil de encontrar, entre outras coisas, porque pode só existir num espaço e num tempo tão flutuante quanto a prestação de um baterista embriagado.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

La Fontaine

Brilhante versão de uma das mais populares fábulas de La Fontaine, a águia e o bode (expiatório).

domingo, 4 de abril de 2010

Grande y Felicísima Armada

Philip James de Loutherbourg "Defeat of the Spanish Armada, 8 August 1588" (1796)

sábado, 3 de abril de 2010

Bullying

Agora que o tão bretã arte do bullying anda pelas bocas do mundo, há que recordar uma das suas primeiras duplas arrasadoras: Andy Rourke e o seu baixo.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A muralha de Adriano

Tal como o império romano, um gajo tem que ter noção que não se pode pura e simplesmente esticar em todas as direcções sem que por isso lhe seja cobrado um preço. Preço esse, provavelmente mais elevado do que aquele que pode pagar. Mas sem encontrar o norte, como erguê-la?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Intervalo

"...nenhuma nação é temporariamente tão formidável para os seus vizinhos como aquela que, habituada a instituições livres, passa subitamente a ser governada por um déspota. A energia das instituições democráticas sobrevive durante algumas gerações e são-lhe sobrepostas a determinação e a certeza, atributos da governação quando todos os seus poderes são orientados por uma única mente. É verdade que este vigor sobrenatural é de curta duração: à perda das liberdades nacionais seguem-se, gradualmente, a corrupção e o alvitamento. Mas até se sentirem as suas consequências decorre um intervalo de tempo, no qual os mais ambiciosos esquemas de conquista são, frequentemente, levados a cabo com êxito."

em Quinze Batalhas Decisivas da Humanidade - De Maratona a Waterloo, de Edward Shepherd Creasy